Girassol
Noites e dias eram o mesmo pra mim. Estrelas e cometas, sol e chuva, luminosidade e escuridão. Nada disso me fazia florescer porque eu não via o tempo e a vida passar. Mas, ainda assim, esse percurso era confortável e tinha sido o meu lar por quase três décadas, mesmo que eu me sentisse engolido por ele a cada passo. Sempre pensei que eu era uma erva daninha. Não daquelas que crescem tímidas entre as rachaduras da calçada e, vez ou outra, desponta uma flor amarela. Mas as ervas que tomam conta de tudo, que são capazes de corroer qualquer coisa que estiver no caminho. Além de pensar que esse era o meu destino - planejado por algum ser místico sarcástico -, eu vivia como uma erva daninha, afinal me percebia desse jeito. Assim, fui consumindo pessoas e relações, criando raízes em solos inférteis. Enquanto outros seres tentavam se aproximar de mim e mencionavam que, talvez, não fosse essa planta danosa e destrutiva, eu ignorava o conselho e crescia na direção oposta. “Eu ...