Confissões do sábado à noite



Tentando não chorar,mas
então alguém pergunta 
o que está errado e você
não consegue parar as lágrimas.
Aquela era uma noite como todas as outras.
Ou seja,era um sábado comum no qual eu assistia algo na televisão e conversava nas redes sociais.
Mas então aquela vontade de me confessar,de soltar meus  medos e anseios.
Um desejo incomum de deixá-los sair da prisão de meses.
Eu não me controlei e acabei dizendo tudo.Tudo mesmo.
Como eu me sentia,porque me sentia daquela forma.
O motivo de eu estar distante nos últimos dias.
Geralmente,quando tenho a obrigação de tomar decisões complicadas,eu entro em pânico.
Não consigo,me sinto pressionado.
Perdido,sem caminho e desamparado.
Confessei isso também.
Arranquei tudo que me fazia mal.
Da mesma forma que arranca erva da ninha de um canteiro de flores.
Provavelmente,na noite passada eu fui tão sincero quanto eu jamais havia sido em meses.
Fui sincero comigo e com outros.
Aquele tipo de sinceridade que carrega tanta verdade 
E tem uma carga emocional tão forte que você acaba chorando.
Mesmo que não queira,a verdade e confirmação fluem do cérebro e coração
 Se tornando líquido e escorrendo pelos olhos.
Foi exatamente como me senti.
Confessei,chorrei,confessei,agarrei um travesseiro e chorei mais um pouco.
É tão bom sentir-se livre e verdadeiro.
É como se eu não tivesse que atuar,pelo menos por um dia.
Como se eu não tivesse que seguir padrões ou regras.
Nem mesmo me manter a altura das expectativas dos outros.
Eu disse que não sabia o que faria da minha vida.
O que eu queria ser ou não poderia ser.
Me desculpei pelo mal que causei e pelas coisas que disse quando estava com raiva.
Ou triste,frustrado,irritado ou só por maldade mesmo.
Agradeci pelos ensinamentos,pelos conselhos,pela companhia,pela compreensão.
Pedi que não esperasse nada de mim.
E foi nesse ponto da minha confissão que recebi um abraço sincero.
Aí que eu desmontei.As paredes de proteção caíram.
As muralhas para manter os outros afastados desabaram.
Aquele abraço que te dá mais vontade ainda de chorar.
Mais vontade de ficar ali e não sair mais.
Só abraçar.
Abraço de sentimento,de verdade.
Não de comprimento,de saudades ou de um breve adeus.
Daqueles que dizem "Estou aqui para você.Não se preocupe."
Ou até um "Pode chorar que faz bem."
Para mim foi como um "Você tem sido forte todo esse tempo.
Não há problema em largar as armas de batalha,pelo menos esta noite."
Chorei mais ainda.
Aliás,choramos juntos.
Chorei como não havia chorado em anos.
Dúvidas,tristezas,medos,anseios,arrependimentos,desejos.
Tudo ali.
Resumidos em abraços e lágrimas.
Naquela noite eu vi e senti que tinha uma pessoa especial comigo.
Que nossa amizade durará anos,mesmo que perdessemos contato.
Percebi que posso ser o que eu quiser.
Tenho vontade de ir mais longe,de ser mais.
E que apenas tenho que colocar a cabeça do lugar.
Agora tenho a mente leve e sem nuvens negras.
As lágrimas de ontem levaram consigo algo ruim,talvez tudo de ruim que me incomodava.
Eu sou uma nova pessoa.
Alguém mais alegre e mais esperançoso.
Alguém que acredita no melhor de tudo.
E tudo isso graças à minha confissão da meia-noite.






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