Retorno às raízes
Eu preciso ter
RAÍZES
antes de
GALHOS
Hoje fui visitar meu pai.
Depois de um ano.
Claro que durante este tempo não perdi contato com ele,porém não ia visitá-lo.
Nos falamos algumas vezes por telefone e ponto.
Inúmeras razões nos afastaram, como trabalho, estudos, mal tempo, falta de tempo, preguiça...
Mas eu sentia falta dele. Falta dos amigos que ficaram pelo caminho, falta das peripécias nas noites de férias, falta de andar despreocupado.
O pai é do tipo que demonstra apenas felicidade e descontentamento.
Outros sentimentos ele guarda. E você nem percebe. Mas o conheço.
Sei que ele sentia minha falta.
Após sucumbir à insistência de minha mãe e de meu grilo falante, decidi retornar às raízes e ir na casa de meu pai.
Acordei cedo, tomei café e esperei o ônibus.
Depois de quase uma hora de viagem,cheguei.
Durante o percurso, enquanto a paisagem se modificava, indo da área urbana para rural, eu sentia uma nostalgia imensa.
Lembrei de quantas vezes admirei a natureza daquele lugar, dos dias que passei caminhando por ali...
Ao chegar no portão de casa, os cães de meu pai me recepcionaram com tamanha empolgação que meus lábios formaram um largo sorriso.
Permiti que pulassem em minhas roupas (novas) e me mordiscassem as mãos.
E lá estava ele. Com seu velho sorriso bondoso e os braços abertos.
O abraço de quem nos ama é como remédio.
Toda aquela culpa que senti por ter (teoricamente) abandonado aquele que estava sempre comigo, sumiu.
Quase como se com aquele abraço meu pai dissesse que estava tudo bem.
Brinquei com os vira-latas antigos e com os recém chegados.
Fiz um tour pela casa e um breve passeio pelo bairro.
Lambi os dedos comendo um churrasco completo e me lambuzei com abacaxi e chantilly na sobremesa.
Parecia um daqueles fins de semana que aproveitei ali.
Foi ai que me dei conta de que não havia se passado um ano.
Quase tudo estava da mesma maneira que deixei.
O bairro, os vizinhos, as ruas e vielas, a atmosfera.
O tempo parou e seguiu quando voltei.
Tive um dia ótimo com meu pai.
Voltei para minha atual moradia com a promessa de que o visitaria com mais frequência.
E constatei que quando se cria raízes, amizades verdadeiras, laços, não existe tempo.
Horas e minutos são infinitos.
Meses se passaram, mas ao retornar para o lar me senti em casa.

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