Tempo que passa
- Ah, é Janeiro, tem um ano inteiro pela frente.
- Troca de canal, não quero ver Carnaval... mas é só o que tem na tv.
-Agora finalmente começa o friozinho.
- Cadê o inverno ?
-Esse ano que não acaba nunca.
- Halloween. Esse ano vou de ... eu mesmo. Tô sem dinheiro.
-Bah, esse ano passou rápido. Mesmo. Nem vi.
-----------------
O tic tac do relógio sempre nos lembra que o tempo passa, pessoas passam, sentimentos passam.
E Dezembro tem a difícil e libertadora missão de ser o último mês do ano. Aquele que indica o fim de um ciclo e o início de um novo. Cheio de oportunidades e desafios.
Não sou clichê, mas sejamos sinceros : o fim de ano nos deixa mais sensíveis e suscetíveis a recapitular o que estamos deixando para trás.
Então....vamos lá.
Aprendi muito esse ano. Sobre mim e sobre os outros.
Conhecimento é uma arma. E se conhecer é uma das mais fortes.Porém obtê-la não é tarefa fácil, nem indolor.
Hoje em dia sou menos explosivo. Mais racional, claro que uma vez ou outra uma faísca salta e inicia-se a combustão,mas é não é duradoura.
Ouço mais meus nãos internos. E meus sims também. Tento entender o que certas reações não racionais estão querendo me dizer.
A família é um outro ponto que evoluí. Aliás, conceito que já conhecia, mas tomou novas dimensões. Pra se sentir em casa, não precisa ser com pai, mãe, irmãos. Amigos servem. E parece que o tempo passa e eles estão sempre ali. Falo dos reais, dos fieis, dos verdadeiros. Esses, são uma joia, sem igual. De verdade.
Ensinamentos, muitos. Experiências, várias. Nem sempre quem te ensina sobre humildade, compaixão, amor, tem essas qualidades. Mas para se lidar com algumas pessoas, necessitamos buscar no nosso interior, cavocar, escavar, esses sentimentos para uma convivência mais agradável.
Imagino como seria viver num mundo de sapatos. Onde nos colocássemos no calçado do outro. Na pele, no coração, na alma. Utopia,né? Será ? Ou se ao menos nos déssemos o trabalho de t e n t a r entender o que se passa naquele ser que sofre, chora, ri, grita. Ter piedade, sermos compreensivos.
Cada ser que encontramos é um livro, cheio de conhecimento, experiências e vivências e no momento que deixarmos o véu do preconceito cair, veremos que todos têm algo a ensinar e muito a aprender. Não importa quem seja, desde um familiar, até um desconhecido e até uma pessoa com quem não temos afinidade, nenhuma. Quantos mais abertos formos, mais oportunidades de aprendizado teremos.
Esse ano que se encerra em poucas horas me mostrou que é importante termos uma crença. Pode ser uma ou mais religiões, podem ser doutrinas, ensinamentos, espíritos, Deus ou Deuses, enfim. Basta crer, com toda a verdade e intensidade do coração. A crença que o dia de amanhã será melhor, que temos escolha de deixar mágoas para trás, que o futuro depende apenas das nossas escolhas e ações. Tudo, tudo mesmo, está em nossas mãos. Acredite primeiramente em você, no seu potencial, na sua intuição, valores, sentimentos, pensamentos. Você pode ser seu único guia, mas ao menos acredite em algo.
Muito aprendi sobre o amor, compaixão, humildade, e principalmente, humanidade. Não sabia que sou tão humano. Vezes me senti excluído, desamparado, desnorteado, porém, inúmeras almas que conheci nesse trajeto me deram amparo, aconchego, cumplicidade. Me deram espaço para criar raízes e florescer. Seres humanos tem a capacidade de odiar profundamente, eternamente, mas também temos o dom de amar, incondicionalmente. E é isso que importa.Tudo que é necessário.
O medo é um professor severo. Me ensinou muito sobre a vida e sobre mim. Tento não ter medo dos outros, do novo, de rumos diferentes que a vida possa seguir. É difícil ? Com certeza. Mas é gratificante seguir meus sentimentos sem temer o que está por vir. Sem duvidar do meu potencial e das minhas qualidades. Tenho bastante a aprender ainda, porém avancei na estrada para ser menos medroso.
Inúmeras vezes vemos apenas o ruim. O bagunçado, o errado. Nada bom está ali. Nada decente nos pertence. A grama do vizinho é sempre mais verde. Isso nos corrói. Enferruja aos poucos, mata por dentro. Devemos focar no que já foi alcançado, no caminho percorrido. Se caí, levanto, coloco curativos e continuo. Em frente. Avante. Temos que ser mais otimistas, mais realistas, mais racionais. Quando algo não ocorre como planejado, continue com o traçado, vai que dá certo. Na pior das hipóteses, teremos que iniciar um novo plano, que acabará sendo mais uma chance de aprender sobre nós, sobre os outros e sobre a vida.
Viva. De coração. De alma. De mente aberta. Se jogue! Voe com os pássaros,flutue nas nuvens mais fofas e altas, mergulhe no oceano mais profundo. Faça tudo o que quiser fazer. Saiba da sua capacidade de ser feliz. Acredite na sua força interior. Creio que o poder está conosco. Nas nossas mãos. Não espere pelo outro. Pelo além, por uma alma caridosa lhe dar as respostas. Se nãos encontrar o procura, seja paciente que na hora certa, o que necessita virá. Tenha paciência, muita paciência. Não deixe que as pedras que caem no seu lago de plenitude perturbem sua paz, mas não seja acomodado. Sentar no sofá e esperar a vida é fácil. Cômodo. Indolor. Mas também é chato, desinteressante, incolor. Seja você na sua plenitude. Aceite que você não é um super herói, nem um mestre sábio cheio de respostas. Somos todos humanos e estamos no mesmo caminho. Ajude a quem puder, ame a quem quiser, seja quem quiser ser. Nunca deixe seus valores de lado. Nossa intuição é precisa. Escute quem tem uma palavra amiga, um abraço mudo, um beijo carinhoso.Muitos só querem o seu bem. Aproxime-se de quem te faz feliz.
Tudo o que aprendi está aí. Se o ano que se inicia amanhã for tão próspero de ensinamentos como esse ano que termina agora, serei grato e ficarei contente em ter a oportunidade de aprender com os próximos doze meses. Tenho muito pela frente, mas eu sei, e espero que você também saiba, que nenhuma pedra e tão grande que não possa ser movida, nenhuma dor é infinita, nenhum espinho é irremovível. Desejo a todos nós um ano de batalhas, sorrisos, lágrimas e abraços. Um ano de tudo que nos foi incunbido. Um ano bom. Um ano novo.
Por : Andrew Sotoriva

Comentários
Postar um comentário
Comente abaixo sobre a crônica