Desfechos e Princípios
Definhou por dias.
Diagnóstico : desinteresse e falta de amor.
Faleceu no quarto num dia nublado.
O luto foi doloroso. O enterro foi rápido.
Pareceu que cada pá de terra que caía sobre o caixão era uma mão que apertava meu peito.
Morrerei junto?
Não. Me despedi. Relembrei os bons momentos. E algumas discussões.
Fim. Voltei pra casa. Chorei. Dormi mal naquela noite. F
oi assim por dias. Depois de um tempo me senti culpado por estar aliviado .
Olhando para trás, concluí que não era meu de verdade.
Era sufocante. Automático. Irreal.
Devo deixar esse peso junto ao corpo que foi velado semanas atrás.
Deitei e adormeci.
Senti uma leve brisa no rosto e o quarto tornou-se gélido.
Abri os olhos. Era um fantasma.
Era ele. Voltou para me assombrar.
Exigia espaço na minha vida.
Considerei...
Não. Não posso.
Não quero. Não vou arrastar estas correntes por toda minha existência.
- Siga seu caminho.
O entendimento passou por seus olhos acinzentados.
Virou em direção à janela desapareceu entre o véu da escuridão.
Foi para o além.
Preso a ele, todo o fardo dos anos que passamos juntos.
O último ponto dessa história foi posto no fim da página.
Respiro fundo. Volto para a cama e adormeço. Não sonhei.
Acordei na manhã seguinte com uma faixa de luz do sol tocando meu rosto.
Caminhei até a janela e olhei para o horizonte.
O tempo está ameno.
Minha respiração é leve.
É hora de seguir adiante.

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