Penas ao vento
(Foto: Girl @xyzchica /We Heart It)
Você me conquistou com seu jeito diferente, um sorriso juvenil e braços que pareciam dispostos a me abraçar.
Em três horas de conversa eu queria saber mais sobre seus anseios, medos, defeitos e planos (quem sabe até fazer parte deles).
Apesar de eu estar costurando retalhos nos rasgos do meu coração, pensei que você era a linha que daria os pontos finais no meu peito.
Mas me enganei.
Você pediu para que eu fosse menos.
Menos interessado.
Menos preocupado.
Menos questionador.
Menos eu.
Se você tivesse feito esse pedido há uns meses atrás, eu teria acatado.
Teria me despido de quem sou para vestir as novas roupagens para você me oferecia.
Mas não tenho talento para ser outra pessoa. Eu só posso ser eu.
Você me disse que tem medo. Que não tem certeza.
Mas e quem tem?
A verdade é que todos somos quebrados, confusos e medrosos.
Sou tudo isso. Mas também sou sonhador e tenho asas.
Naquela noite eu perdi algumas penas com você. Vez ou outra algumas caem pelo caminho.
Faz parte do doloroso, complexo e necessário processo de crescer.
Faz parte do doloroso, complexo e necessário processo de crescer.
Mas não vou depenar minha alma para que eu possa voar ao seu lado.
Algumas vezes sou pego em flagrante pensando em você. Mas logo te coloco de lado.
Apesar de ter asas como os pássaros, migalhas não me sustentam como a eles.
Não esperei seus argumentos. Virei as costas resoluto.
O pedido para ficar arranhou minha garganta, mas engoli os cacos e saí.
Sentado numa pedra aquecida pelo sol, observo as folhagens moverem-se com o sopro do vento e sinto anseio pela liberdade.
Respiro fundo.
Levanto.
Corro em direção ao penhasco e pulo.
Abro minhas asas e salto para o infinito.

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