MESMO COM EXPECTATIVAS, QUE HAJA FELICIDADE
ATRAIA O QUE VOCÊ ESPERA.
REFLITA O QUE VOCÊ DESEJA.
TORNE-SE O QUE VOCÊ RESPEITA.
ESPELHE O QUE VOCÊ ADMIRA.
(Foto: @Candyflowers/ We Heart It)
Há exatos sessenta e um meses, eu
postei um pensamento sobre criar expectativas. Naquela crônica eu sugeri que
os leitores deixassem de esperar algo dos outros e após cinco anos, tropeços e machucados, evoluí nessa questão. Quando escrevi aquele texto,
eu tinha acabado um relacionamento curto e entrado em outro. Ambos foram
turbulentos e naquele momento cheguei a conclusão de que a melhor saída pra
preservar meus sentimentos era deixar de aguardar qualquer coisa que seja de qualquer pessoa que viesse.
Hoje, o conselho segue, mas com
algumas modificações foram feitas.
Durante vários anos eu acreditei fervorosamente que eu
deveria criar uma carapaça em torno dos meus sentimentos. A reclusão
sentimental foi minha religião por muito tempo. Eu me escondia da luz dos
outros atrás dos meus pensamentos obscuros. Eu afastava as pessoas para não me
magoar e usava todos meus recursos para não criar expectativas.
Mas depois
de tanto de camuflar o que eu sentia, sem perceber, acabei desconhecendo quem sou. Quando me vi escravo de algo que não era eu, não me reconheci. Então senti que havia uma colcha de retalhos de pessoas, mentiras, pensamentos e
ações cobrindo minha alma. Foi só aí que comecei o processo de cura.
Aos poucos
fui puxando os fios que acobertavam meu interior. Com isso, várias pessoas
foram desfiando e alguns pensamentos mudando. E o espelho, que antes estava
encoberto por uma crosta grossa de uma substância pestilenta e tóxica, passou a
mostrar um fraco reflexo de mim. Esse tipo de sujeira não sai com álcool ou
algum limpa vidros qualquer, mas trabalho braçal e esforço emocional é necessário. Lágrimas, solidão,
tristeza e dúvidas fazem parte disso. Mas depois do sofrimento da metamorfose, eu
passei a ser dono de mim outra vez.
Eu não
deixei de criar expectativas. E acredito que nunca vou. Mas minha crença agora
é outra: reciprocidade. Apenas retribuo o que o mundo me oferece. Claro, que
algumas vezes espero mais do que posso obter, porém, isso não me derruba mais. Fico
balançado, mas respiro fundo e continuo caminhando. Não quero nada que não seja
meu. Não peço que fique quem prefere a partida, não seguro a mão de quem
prefere a solidão. Mas ainda sim espero sempre o melhor. Mesmo sendo um pessimista
realista, eu espero um abraço e uma palavra de consolo. E não vejo nada de
errado com isso. Mesmo que eu tenha várias cicatrizes que são fruto de
ferimentos por causa de expectativas, eu continuo acreditando. Apesar de tudo, ainda
sou sonhador irremediável. Sou bagunça irreparável. Sou indefinidamente
infinito.

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