CAÇADORES DE EPÍLOGOS
Talvez não
seja sobre
o final feliz.
Talvez seja
sobre
a história.
(imagem: @cookie004 / We Heart It)
Sou o tipo de pessoa que não consegue conviver com dúvidas, questionamentos e histórias sem final.
Sinto a necessidade de que as coisas tenham início, meio e fim (de preferência sem vírgulas).
Me dá uma agonia quando algo não tem um fechamento claro e ao invés do "The end", a tela escurece e surge um ponto de interrogação.
Em um mundo ideal, os ciclos teriam desenvolvimento, ápice e final. Mas não é assim. Aliás, a tendência é que as etapas se misturem, deixando mais perguntas do que respostas. "Clareza" é algo que nem sempre faz parte dos substantivos que definem a vida.
A jornada em busca de finais tem um caminho tortuoso, repleto de pedras, feridas e aprendizado.
Às vezes, a gente encontra o que procura. Noutras, o labirinto é digno de um desafio mitológico.
Claro, o caçador de conclusões deve analisar a necessidade da busca. A conclusão pode ser dita sem o uso palavras, mas por meio de ações e olhares. O silêncio, inclusive, encerra um fim.
Em algumas situações, a dúvida é a melhor resposta. Não vale a pena mutilar a alma só para satisfazer uma necessidade que irá causar mais danos do que se fosse deixada na clandestinidade.
Muito já fui atrás de uma pessoa para poder ouvir um “sim” ou “não”. Revivi dores, desenterrei memórias e desencavei momentos que deveria ter deixado serem dissipados com o auxílio do tempo.
Lidar com términos é o equivalente a mexer em um vespeiro com as mãos nuas. O ninho pode estar desabitado, as vespas podem não ter ferrões ou, uma armada zangada pode atacar ferozmente o herói que ia em busca de um fim para o conto.
Para evitar ferimentos desnecessários, é preciso exercitar a arte do desapego. Este conselho não serve somente para aqueles (como eu) que caçam desfechos, mas também para outras situações.
Aprender a distinguir quando, como e com quem é válido utilizar recursos e tempo é o primeiro passo para os mochileiros de primeira viagem.
A caminhada pode ser longa ou curta, durar dias, horas ou minutos. Cada história tem um formato, uma dinâmica, um objetivo, um questionamento e um final (ou a falta dele).
Há a possibilidade de a procura não decifrar os mistérios buscados e nem sempre é necessário que seja feita. Antes de qualquer planejamento de um itinerante de sinopses, algo deve ficar claro.
Apesar de a gente ter o impulso, quase que inerente, em buscar respostas, fechamentos e fins, a vida não é precisa e coerente, muito menos preocupa-se em fazer sentido.
Exercer o desapego com epílogos é tarefa difícil para quem precisa de remates para seguir em frente, mas é imprescindível para que seja possível continuar a caminhada. Seja ela com conclusões ou incertezas.

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