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PROMESSA E INCERTEZA

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(Foto: We Heart It)        Acordar numa tarde de domingo depois de passar o sábado de baixas temperaturas caminhando na orla da praia e então fazer uma razoável quantidade de pipoca para assistir filmes durante o resto do final de semana. Este convite é tentador para mim, porém, ele vem acompanhado de diversas dúvidas geradas por sua intenção de me fazer feliz. Por que eu? Tem tantos outros por aí...Sei que as pessoas não são iguais, tampouco somos tão únicos quanto nos fazem acreditar. Depois de enfrentar  um forte temporal interior, me acostumei com a ideia de navegar sozinho, ser capitão e vento das velas do meu barco. Alguns podem achar triste, mas se eu não souber velejar sozinho, como esperar que outro faça isso por mim?        Suas palavras parecem sinceras. Percorro seu olhar em busca de um movimento estranho que indique alguma razão maléfica para você querer estar comigo. Provavelmente não há. Porém, todas as vezes que já ...

DESCULPE, ESTOU INDISPONÍVEL

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(Imagem: Amy Melampy: We Heart It)       Sabe quando você espera agir de uma forma, mas age de outra? Pois então. Dias atrás, todas as tentativas que eu fazia eram frustradas por um ou outro empecilho. Se isso tivesse acontecido há uns meses, eu já estaria surtando, dizendo que universo estava contra mim e por aí vai... Mas sabe o que fiz? Respirei fundo (talvez com um pouco de intensidade a mais do que necessário) algumas vezes e tentei encontrar uma solução para cada um dos problemas. E o mais incrível: deu certo! DEU CERTO! Aquela coisa que as pessoas dizem sobre "deixa rolar", "segue o fluxo", "segura na mão de Deus e vai" , é verdade.        Estou deixando de entrar em paranóia por causa das pedras no caminho que não consigo retirar. Às vezes tem um espacinho ao lado da rocha que dá pra passar e a gente fica só olhando para o pedregulho, que nem sempre é tão grande assim. Mesmo que a dificuldade seja realmente difícil de ultrapassar, e...

IN MEMORIAM

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     Eu nunca perdi alguém realmente importante pra mim. Meus pais ainda estão vivos e os vejo sempre, já que a relação com meus avós era escassa, a partida deles não me afetou. A morte é uma certeza. Talvez a única que se tenha na vida. Aliás, ironia essa: a máxima do viver é o morrer. Acredito que a solitária prece do ser humano em relação ao óbito é que o espaço entre o abrir os olhos pela primeira vez e fechá-los pela última, seja longo ou ao menos feliz.      Li trechos de História da Morte no Ocidente de Philippe Ariès, um historiador francês que escreveu sobre a relação dos ocidentais com o falecimento desde os tempos remotos até o final do século XX. Na época em que não existiam centros urbanos e os seres humanos se organizavam em tribos, a nossa espécie tratava o fim como algo natural e parte do ciclo da vida. O temor que os nativos sentiam da morte se devia ao fato de que ela representava menos braços para defender a aldeia quando fo...

CAÇADORES DE EPÍLOGOS

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Talvez não seja sobre o final feliz. Talvez seja sobre  a história. (imagem: @cookie004 / We Heart It) Sou o tipo de pessoa que não consegue conviver com dúvidas, questionamentos e histórias sem final. Sinto a necessidade de que as coisas tenham início, meio e fim (de preferência sem vírgulas). Me dá uma agonia quando algo não tem um fechamento claro e ao invés do "The end", a tela escurece e surge um ponto de interrogação. Em um mundo ideal, os ciclos teriam desenvolvimento, ápice e final. Mas não é assim. Aliás, a tendência é que as etapas se misturem, deixando mais perguntas do que respostas. "Clareza" é algo que nem sempre faz parte dos substantivos que definem a vida. A jornada em busca de finais tem um caminho tortuoso, repleto de pedras, feridas e aprendizado. Às vezes, a gente encontra o que procura. Noutras, o labirinto é digno de um desafio mitológico. Claro, o caçador de conclusões deve analisar a necessidade da busca. A conclus...

OS CAMINHOS SE SEPARAM

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(Foto: sore-thumbelina/We Heart It) Eu não consigo descrever o que sinto ou o que penso. Desde que você deixou eu entrar na sua vida e abriu seu universo para mim, eu pensei que seria assim para sempre. Tinha certeza de que você era minha alma gêmea. Aquela pessoa que consegue ver através da casca dura que estampo para o mundo. E assim foi, por meses. Me despi de pudores e deixei minha alma nua na sua frente. Te disse palavras mais fortes e sinceras do que falei para qualquer outra pessoa. Me senti teu amigo, irmão, pai, avô, confidente, abraço, peito e coração. Eu simplesmente mostrei tudo. Sem filtros, sem vergonhas, sem desvios, sem desculpas, sem mentiras. Há uns dias a gente estava dando uns passos em falso um com o outro. As conversas não duravam mais horas é o meu apepite em ouvir teus conselhos constantes passou a ser inconsistente. Aquela foi a minha primeira festa. A música era boa e por algumas horas eu dancei, dei risadas e bebi. Assim que voltei para casa...

CAPÍTULO 1 - RUA DOS ALFENEIROS, Nº 50

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         Os primeiros raios de sol daquela manhã atravessaram o tecido fino da cortina da janela e atingiram os olhos do homem que dormia pesadamente na Rua dos Alfeneiros, nº 50. Balbuciando palavras sem sentido, ele virou para o alarme que estava em cima de sua cabeceira e ao ver que ainda teria mais uma hora de sono, voltou a dormir. Antes que conseguisse fechar os olhos, ele ouviu fortes barulhos na porta do quarto. Provavelmente os vizinhos pensariam que a casa estava em reforma, mas na verdade, eram apenas duas crianças que tentavam acordar os pais. - PAI! MÃE! ACORDEM!!!! ACORDEM!!! – berrava a plenos pulmões um dos meninos. - PAI! É HOJE! É HOJE! – fazia coro o outro filho enquanto pulava ao redor do irmão. - Vernon! Gregor! Acalmem-se. São sete horas da manhã. – falou o pai enquanto levantava da cama e vestia um roupão por cima do pijama. – Não sei como que a mãe de vocês não acordou com toda essa baderna. – disse mais para si do que pa...

CAPÍTULO 2 - NATAL EM GODRIC'S HOLLOW

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       Katie Bell e Duda Dursley eram casados há treze anos e se conheceram em uma festa de Natal na casa de Harry e Gina Potter. Na ocasião, os laços entre os primos estavam começando a estreitarem-se e aquele era o segundo encontro familiar para qual Duda fora convidado. Hermione e Rony Weasley, Luna e Rolf Scamander, Jorge e Angelina Weasley e Neville e Ana Abbot estavam entre os bruxos que participaram da ceia natalina. A neve caía e acumulava-se no telhado e no parapeito das janelas das casas de Godric's Hollow. Luzes coloridas enfeitavam todo o vilarejo e cantigas ecoavam pelas ruas, formando um grande coral natalino.        Duda estava em pé ao lado de uma grande janela admirando o povoado e pensando no quanto aprendia no mundo mágico quando alguém cutucou seu ombro. Ao se virar, o homem viu uma mulher bonita de cabelos escuros amarrados em um rabo de cavalo e um sorriso que parecia brilhar mais do que a estrela que estava no topo ...