Manhã ensolarada
A noite anterior foi a mais difícil de dormir.
Eu deitei na cama e comecei a pensar em tudo o que tinha me acontecido naquele dia.
A mulher do tempo tinha dito pela manhã que o dia seria ensolarado e trinta minutos depois a chuva começou a cair.
As nuvens negras eram algo bem previsível já que o dia anterior havia sido muito quente.
Eu já estava na rua quando a água começou a cair e acabei enxarcado.
Devia ter pressentido que esse dia não seria um dos melhores.
Logo em seguida peguei o ônibus em direção ao meu destino.
Eu sabia tudo o que tinha que ser tido.Tudo mesmo.
Ensaiei em frente ao espelho algumas vezes,repassei na minha mente meus pensamentos e guardei tudo,pronto para falar assim que tivesse a oportunidade.
Nós já não éramos as mesmas pessoas de um mês atrás.
Ou até éramos,mas não um com o outro.
No começo era bom,então começaram as brigas,birras,lágrimas e choros.
O nosso tempo de conversa havia diminuido bastante e foi substituído por minutos de discussão.
Sempre soubemos que nosso tempo junto seria limitado.
Desde o começo sabiámos que iriámos acabar assim.
Estava previsto.
Durante o caminho ouvi algumas músicas (Turning Tables da Adele,principalmente) e me preparei para o que estava por vir.
A dias que esses sentimentos estavam presos na minha garganta e logo eles seriam expostos.
Eu cheguei no lugar marcado depois de quarenta minutos e já me esperavam.
Fomos caminhando para um lugar em que pudéssemos conversar melhor.
Primeiro,sentamos em uma dessas lanchonetes que ficam atrás de um ponto de ônibus,mas pedi que saíssemos dali.
Não era um local apropriado.
Fomos na direção de uma praça.
Aquela na qual ficamos até tarde conversando.
Lugar que planejamos ficar juntos.
Onde um dos nossos primeiros beijos foi dado.
É bem estranho como certas coisas acontecem:
O nosso começo ensolarado e nosso fim chuvoso foram no mesmo lugar.
Depois de andar mais ou menos vinte e cinco minutos,chegamos.
Escolhemos um lugar mais deserto e eu comecei a falar.
Abri minha alma e coração e falei tudo aquilo que me feriu.
Coisas que devia ter dito no início mas que decidi guardar para mim por pensar que logo elas iriam passar.
Mas certos sentimentos e pensamentos me assombraram por semanas e agora estes fantasmas estavam sendo exorcisados.
Pedi que não fosse interrompido pois assim seria mais fácil.
E aos poucos a chuva diminuiu até que ela parou.
O céu parecia refletir meu interior:
As nuvens eram cinzentas e o ar gelado.
Falei por dez minutos,talvez mais.
Encarava meus calçados e às vezes seus olhos.
Foi difícil.
Mas alguém tinha que ter tomado essa atitude antes.
Depois de conversarmos por mais alguns minutos,as nuvens começaram a ficar mais escuras e o tempo desabou sobre nós.
Só foi naquele momento que descobri coisas que nem imaginava sobre você.
Algumas razões por suas ações.
Mas já era tarde e nosso fim havia chegado.
A chuva ficou mais forte e senti que era hora de partir.
Meu celular tocou.Era minha mãe.
Eu disse que iria para casa em seguida e desliguei o celular.
Nos deparamos com uma rua quase deserta e nos preparamos para o adeus.
Foram alguns abraços apertados e uns beijos desajeitados.
Nossas vidas se separavam ali.
Eu queria ir embora.
Mas também não queria.
É complicado explicar.
Ao menos o peso das minhas costas e o aperto na garganta foram embora.
Depois de uma hora,segui meu caminho.
A chuva era fina e foi necessário apenas colocar o capuz do casaco por cima da cabeça.
Fui caminhando rapidamente,sem olhar para trás e peguei o transporte de volta.
O estranho é que estávamos juntos por seis semanas não choveu em nenhuma das outras vezes que nos vimos.
Parecia que o tempo não queria que a despedida fosse demorada.
O caminho de volta foi doloroso.
Segurei todas as lágrimas até chegar em casa e depois de tomar um banho,desabei na cama.
E chorei.
A angústia de semanas desabaram sobre mim.
Não me controlei e simplesmente fiquei ali.
Meus olhos estavam vermelhos e lacrimosos quando me olhei no espelho.
Lavei o rosto no banheiro e voltei a me deitar.
Chorei mais alguns minutos e adormeci.
Tive uma noite sem sonhos ou pesadelos.
Ou se tive,foram neutros.
Como eu me senti depois de as lágrimas rolarem por meu rosto:
Nem bem e nem mal.
Acordei na manhã seguinte com os raios de sol entrando pela janela do quarto.
O sol estava brilhando lá fora com a promessa de dias melhores

Comentários
Postar um comentário
Comente abaixo sobre a crônica