ele
fonte da imagem : Pinterest
Ele estava sentado no parapeito da janela, enquanto o vento noturno soprava a solidão para longe e a lua o fazia companhia.
O único som que era ouvido naquela noite era o das folhas se movendo com o suspiro do vento.
Nada se movia nas ruas ou nas casas. Porém, dentro dele, um mundo estava acordado. Os pensamentos passavam velozes por sua mente.
Ele gostava do silêncio e de ficar sozinho.
Seu companheiro era ele. Não tinha amigos, ou família.
Aquelas horas eram as que ele aguardava ansioso. Quando a escuridão começava a cair, ele passava a respirar tranquilamente.
Há anos ele vive assim. Seus vizinhos não batem na porta porque sabem que ele não gosta de interagir com as pessoas. Na verdade, eles têm quase certeza de que aquele rapaz nunca gostou de algo. Ou de alguém.
Mas ele nem sempre foi assim. Nem sempre ele viveu dentro de si.
Ele já amou.
Mais vezes e mais pessoas do que ele admite durante as horas em que passa sentado na janela.
Ele doou-se. Entregou tudo. Tudo o que tinha.
Sua alma e seu coração foram partidos e remendados tantas vezes que ele deixou de acreditar nos outros. E principalmente em si.
Seus cabelos, negros ao nascer, foram se tornando azuis com cada adeus que ele dizia.
Seus olhos, antes castanho claro, tornaram-se negros. Escuros como uma noite sem estrelas.
Ele não sentia frio nem calor. Ele não sentia dor. Ele não sentia amor. Ele não sentia desejo.
Ele simplesmente não sentia nada.
Várias vezes ele perguntou-se qual era seu propósito de vida. E nenhuma resposta parecia ser a certa.
Talvez, sua missão fosse apenas estar, e não ser.
Ele nunca quis ser nada mesmo.
Apenas solitário.
Passava as horas de luz e calor escrevendo e no frio escuro, escrevendo.
Pensando nas razões e nos porquês. Nas dores e felicidades.
Mas cada dia que passava tornava mais difícil lembrar do tempo em que sentia algo.
Ele não sabe mais como é sorrir ou gargalhar.
Ele não recorda como é ser tocado.
Ele não lembra da sensação das lágrimas escorrendo por seu rosto. Sejam elas de alegria ou tristeza.
Aquela era uma noite fria e chuvosa.
Essas eram as sua preferidas porque os únicos momentos em os fantasmas das sensações comuns surgiam.
Talvez fosse pela afinidade com o gélido que ele desenvolveu com o passar dos anos.
A rua estava silenciosa como na madrugada anterior. Todos dormiam, exceto ele.
Na solidão ele sentia-se vivo. Ele sentia algo. Ou resquícios do que era sentir.
Era como se uma mão aquecida acariciasse seu rosto.
Ele abriu a janela e deixou a noite entrar.
Eles são bons amigos. Não conversam entre si, mas compreendem um ao outro.
Parecia uma madrugada comum, mas algo no horizonte chamou sua atenção.
Ele acompanhou atentamente aquela forma humana sobrevoar algumas árvores até que tornar-se visível ao passar por um dos postes de luz que iluminava a rua.
A rua estava silenciosa como na madrugada anterior. Todos dormiam, exceto ele.
Na solidão ele sentia-se vivo. Ele sentia algo. Ou resquícios do que era sentir.
Era como se uma mão aquecida acariciasse seu rosto.
Ele abriu a janela e deixou a noite entrar.
Eles são bons amigos. Não conversam entre si, mas compreendem um ao outro.
Parecia uma madrugada comum, mas algo no horizonte chamou sua atenção.
Ele acompanhou atentamente aquela forma humana sobrevoar algumas árvores até que tornar-se visível ao passar por um dos postes de luz que iluminava a rua.
Para sua surpresa, uma garota, não muito mais velha que ele, de cabelos rosados e olhos brilhantes sentou-se no muro em frente à sua casa.
Ele não tinha amigos. Ou família. Ou qualquer pessoa que pudesse aparecer para visita-lo no meio da noite. Muito menos alguém que voasse.
Ele fechou a janela com cuidado para que a garota não o visse, mas algo nela parecia estranhamente familiar.
Mas não podia ser. Ele não conhecia ninguém. Ele havia nascido em um lugar distante e nenhum parente sabia seu endereço.
Porém, algo dentro dele mexeu-se desconfortavelmente. Algo que não se movia há anos. Seu coração.
E logo em seguida sua alma deu sinais de vitalidade.
Respirando pesadamente, ele foi até o espelho sujo que ficava na parede e encarou a figura refletida nele.
Tudo estava normal.
Seus olhos continuavam negros e seus cabelos, azuis.
Sua aparência era a mesma. Mas algo dentro dele estava mudando. E ele tinha a impressão de que a garota dos cabelos cor de rosa tinha algo a ver com essa mudança repentina.
Ele não sabia o que era.
Mas, a escuridão e a solidão começaram a parecer vazias.
O silêncio era mais barulhento do que ele lembrava.
Então, ele decidiu descer as escadas e abrir a porta da casa.
Logo ele descobriria que aquela noite escura tinha marcado um encontro com a pessoa que mudaria a vida dele para sempre.
Ele não tinha amigos. Ou família. Ou qualquer pessoa que pudesse aparecer para visita-lo no meio da noite. Muito menos alguém que voasse.
Ele fechou a janela com cuidado para que a garota não o visse, mas algo nela parecia estranhamente familiar.
Mas não podia ser. Ele não conhecia ninguém. Ele havia nascido em um lugar distante e nenhum parente sabia seu endereço.
Porém, algo dentro dele mexeu-se desconfortavelmente. Algo que não se movia há anos. Seu coração.
E logo em seguida sua alma deu sinais de vitalidade.
Respirando pesadamente, ele foi até o espelho sujo que ficava na parede e encarou a figura refletida nele.
Tudo estava normal.
Seus olhos continuavam negros e seus cabelos, azuis.
Sua aparência era a mesma. Mas algo dentro dele estava mudando. E ele tinha a impressão de que a garota dos cabelos cor de rosa tinha algo a ver com essa mudança repentina.
Ele não sabia o que era.
Mas, a escuridão e a solidão começaram a parecer vazias.
O silêncio era mais barulhento do que ele lembrava.
Então, ele decidiu descer as escadas e abrir a porta da casa.
Logo ele descobriria que aquela noite escura tinha marcado um encontro com a pessoa que mudaria a vida dele para sempre.

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