FUGINDO DE MIM
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Eu tenho fugido de mim.
Ando me escondendo do meu eu.
Tenho deixado essa conversa pra depois, mas o depois nunca chega.
Eu sei o que que vou falar para mim, porém não quero ouvir.
Não quero ficar a sós com minha solidão.
Uso as pessoas, as tarefas e os ruídos como escudo.
O silêncio fala alto.
O eu grita.
Eu finjo que não ouço.
Estou surdo para me ouvir.
Em algum momento no meio dessa confusão eu me perdi. E essas partes se separaram.
Até um tempo atrás elas entravam em consenso, mas agora elas nem se consideram.
Não estou dividido.
Estou partido em dezenas de pedaços e cada caco quer algo diferente do outro.
Tenho a impressão de que nada mais me interessa.
Tudo não passa de um borrão.
O tempo passa arrastado e monótono.
Não há mais dias, apenas lascas de um sobreviver sem sentido.
Nem parece que estou vivendo.
Sou apenas leitor da minha própria crônica.
Eu me quero de volta.
Preciso me olhar nos olhos e encarar meu cerne.
Me pegar pela mão, colocar minha cabeça no colo e acaricia-lá sussurrando no ouvido que tudo vai ficar bem.
Eu preciso de mim.
Por enquanto estou à deriva, flutuando num oceano de inquéritos.
Quero tocar minha testa com os lábios e dar um abraço apertado e longo.
Tenho que me reencontrar e fazer as pazes comigo.
Sinto falta de mim.
Preciso parar de fugir e enfrentar a mim mesmo.
Quero fundir meus fragmentos de volta.
Não me sinto mais completo.
Não me sinto mais.
Não me sinto.
Apesar de ser doloroso, eu devo esclarecer as coisas comigo.
Tirar as verdades do poço no qual as joguei e colocá-las à vista.
Parar de me esconder atrás de uma muralha de desculpas.
Preciso ter a mim novamente.
Quero voltar a ser um único ser e não mais estilhaços de alguém envolvidos em uma cápsula de dilemas.
Talvez, me tornando alguém composto, eu deixe de me sentir perdido.
Talvez, eu volte a apreciar o gosto da vida nas papilas da minha alma.
Talvez, eu deixe de ver o mundo como um espelho estilhaçado.
Vou retirar a caneta da mão do receio e toma-la entre meus dedos.
Voltar a me enxergar.
Voltar a me sentir.
Voltar a me ouvir.
Voltar a ser.
Voltar a mim.
Ando me escondendo do meu eu.
Tenho deixado essa conversa pra depois, mas o depois nunca chega.
Eu sei o que que vou falar para mim, porém não quero ouvir.
Não quero ficar a sós com minha solidão.
Uso as pessoas, as tarefas e os ruídos como escudo.
O silêncio fala alto.
O eu grita.
Eu finjo que não ouço.
Estou surdo para me ouvir.
Em algum momento no meio dessa confusão eu me perdi. E essas partes se separaram.
Até um tempo atrás elas entravam em consenso, mas agora elas nem se consideram.
Não estou dividido.
Estou partido em dezenas de pedaços e cada caco quer algo diferente do outro.
Tenho a impressão de que nada mais me interessa.
Tudo não passa de um borrão.
O tempo passa arrastado e monótono.
Não há mais dias, apenas lascas de um sobreviver sem sentido.
Nem parece que estou vivendo.
Sou apenas leitor da minha própria crônica.
Eu me quero de volta.
Preciso me olhar nos olhos e encarar meu cerne.
Me pegar pela mão, colocar minha cabeça no colo e acaricia-lá sussurrando no ouvido que tudo vai ficar bem.
Eu preciso de mim.
Por enquanto estou à deriva, flutuando num oceano de inquéritos.
Quero tocar minha testa com os lábios e dar um abraço apertado e longo.
Tenho que me reencontrar e fazer as pazes comigo.
Sinto falta de mim.
Preciso parar de fugir e enfrentar a mim mesmo.
Quero fundir meus fragmentos de volta.
Não me sinto mais completo.
Não me sinto mais.
Não me sinto.
Apesar de ser doloroso, eu devo esclarecer as coisas comigo.
Tirar as verdades do poço no qual as joguei e colocá-las à vista.
Parar de me esconder atrás de uma muralha de desculpas.
Preciso ter a mim novamente.
Quero voltar a ser um único ser e não mais estilhaços de alguém envolvidos em uma cápsula de dilemas.
Talvez, me tornando alguém composto, eu deixe de me sentir perdido.
Talvez, eu volte a apreciar o gosto da vida nas papilas da minha alma.
Talvez, eu deixe de ver o mundo como um espelho estilhaçado.
Vou retirar a caneta da mão do receio e toma-la entre meus dedos.
Voltar a me enxergar.
Voltar a me sentir.
Voltar a me ouvir.
Voltar a ser.
Voltar a mim.

Achei lindo !profundo e de alguém com alma marcante !amei
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