Sussurro
Foto: Wael Alramahi/We Heart It Era uma noite que já fazia parte da rotina que criamos - uma janta deliciosa acompanhada de um filme ou série -, nós enrolados no sofá da sala. É algo tão simples, mas ao mesmo tempo único, e nosso, íntimo. Já tinham se passado dias desde que entendi o que estava acontecendo comigo, só que eu não queria admitir, aceitar, cogitar essa ideia. Afinal, fiz as pazes com a ideia de construir um legado sozinho, uma mala de baixo do braço e o desejo de mudar o mundo, nada além disso. É tão clichê e verdadeiro. Porém, foi crescendo, entre as falhas da calçada, debaixo do sol, chuva, vento, das solas dos meus pés, tentativas de não deixar vingar e florescer. Eu estava tão perplexo que não conseguia nomear. Afastava essa palavra dos meus pensamentos como quem tenta estapear um inseto insistente. Falar em voz alta?! NUNCA! Tive que jurar frente ao espelho, numa daquelas conversas com o meu interior, me encarando nos olhos e revirando dentro da alma, que não era...